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Vinho de Colares

A História

vinhasdecolaresIgnora-se quando se plantaram aqui as primeiras vinhas. Mas a expansão da vinha na Península remonta à mais alta Antiguidade. Políbio fala dos vinhos da Lusitânia como sendo dos melhores da Europa, um século antes da era cristã.

No foral afonsino de Sintra (1154) consta que se cultivava, já naquele tempo, a vinha na região. D. Afonso III pretendeu animar a cultura da vinha, porquanto na doação que em 1255 fez de Reguengo de Colares a Pedro Miguel e sua mulher, Maria Estevão, foi com a obrigação de plantar vinhas, o que levou o Visconde de Juromenha, na Cintra Pituresca, a levantar a hipótese de ter este rei ali introduzido cepas originárias de França, pela semelhança deste vinho com alguns daquele país. D. Dinis, que tão grande impulso deu à agricultura, entre as doações que fez a seu filho, o infante Pedro Afonso, em 1301, contam-se uma adega, diversas vinhas e outros domínios situados em Sintra e seus arredores. No Livro das Colheitas de D. Afonso IV, descriminam-se as colheitas efectuadas na Vila e seus arrabaldes, verificando-se que a produção do vinho era, à época, de três moldios em Sintra e três moldios em arrabaldes.

Segundo alguns cronistas, o desenvolvimento dos vinhedos permitiu que no reinado de D. Fernando I (1367-1383) se fizesse o primeiro movimento de exportação de vinho. A região de Colares possuía, então, uma viticultura florescente, que, a par de outras valiosas plantações, davam à Vila uma importância significativa. Por tal, D. João I, em 20 de Agosto de 1385, logo após a Batalha de Aljubarrota, entrega, por doação, a Vila de Colares ao Contestável D. Nuno Álvares Pereira. D. Manuel I, que atribuiu o Foral a Colares em 10 de Novembro de 1516, aumentou os privilégios que gozavam os agricultores da região. O que deu novo impulso à vinha. Nos documentos comprovativos o aviamento e carregamento das naus que se destinavam à Índia, nota-se que o vinho de Colares era um dos preferidos. Por esta altura, na Crónica do Imperador Clarimundo (1520), D. João de Barros faz larga referência aos frutos do vale do Rio das Maçãs e, nomeadamente, ao vinho de Colares. Estes elementos que vimos anotando, apenas corroboram a tradicional afirmação que desde o séc. XIII, tem carta de nobreza o afamado Ramisco de Colares. Vê-se, assim, que desde o século XIII, o vinho de Colares tem carta de nobreza, sendo levado frequentemente às mesas reais.

Em 1865, os vinhais do país foram, em grande parte, devastados pela filoxera. Mas os vinhais de Colares ficaram incólumes, para o que muito contribuíram as condições dos terrenos arenosos, em que o terrível insecto não encontrou modo de penetrar. Por isso, a categoria do vinho de Colares impôs-se, fazendo dele o primeiro vinho de mesa nacional.

 

O Vinho e a Vinha

vinho_colaresAs vinhas desta região, situadas próximo do mar e sujeitas aos ventos marítimos muito fortes, são protegidas por paliçadas de canas, conferindo um aspecto muito especial a esta paisagem vinícola. Colares, pela sua natureza geológica, divide-se em duas sub-zonas: “chão de areia” (região das dunas) e “chão rijo” (solos calcários, pardos de margas ou afins).

As características únicas do vinho de Colares devem-se às castas, solo e clima temperado e húmido no Verão e, ainda, ao facto de 80% da vinha estar instalada em “chão de areia”, respeitando a prática tradicional de “unhar” a vara de “pé franco” no estrato subjacente à camada de areia.

O vinho de Colares só atinge a sua máxima qualidade passados vários anos, embora o estágio mínimo seja de 18 meses. Dado o longo estágio a que o vinho é obrigado, a comercialização é muito limitada, podendo a região de Colares tornar-se uma espécie de santuário para os conhecedores deste vinho.

 

A Região Demarcada

adega_colaresColares, reclinada sobre duas colinas da Serra de Sintra, é região demarcada desde 1908.A carta de Lei de 1908 reconhecendo Colares como vinho de tipo regional, foi o diploma que criou a região demarcada, património de elevado grau de raridade, senão único, em todo o mundo vitícola.

A região está confinada a uma zona de terrenos de areia solta da era terciária, assente sobre uma zona argilosa do cretáceo, que em tempos recuados se admite ter sido pertença do mar e onde as videiras desenvolvem as suas raízes.

A área geográfica correspondente à Denominação de Origem “Colares” compreende as freguesias de Colares, São Martinho e São João das Lampas.

 

Fonte: Sitraromantica

 

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